Chega sem pressa, pede um café...

Do que ainda não sei explicar

Não é pelo jeito que ele arruma os fios dourados no lado direito da cabeça.
Nem pela maneira que os seus passos completam os meus.
Tampouco seria a paciência dele quando me explica sobre "comoasteclasdonotebooksãosensíveisequeeudeveriatermaiscalmaduranteadigitação".
Não é pelo imenso sorriso que ele me empresta cada vez que me enxerga do outro lado da rua.
Nem deve ser porque antes meu mundo era sonolento, triste, acinzentado e com ele... um novo mundo começa agora.
Também não é pela disposição que ele organiza os talheres na hora de jantar.
De repente seja um pouco por causa dos sonhos (bonitos) compartilhados,
por causa da Julia,
por Vitor Mariano,
por nós dois.
Então deve ser sim por causa do amor.


PS: Casada contigo para sempre.

Pra dizer três palavras mágicas


Faz-de-conta então que estamos em Paris.
E em Paris teremos todos aqueles rituais de amor com os quais estamos acostumados.
Poesia.
Balões coloridos.
Sorrisos.
Olhares marejados.
Acreditamos em Deus.
Acreditamos em nossos futuros filhos.
Brindamos com xícaras repletas de expressos quentes esse sentimento. Sentimento bonito.
No início, em menos de oito dias, quando menos percebi, dei-me conta que olhava para o mesmo ponto que tu, vislumbrando um futuro que apenas aqueles que crêem nas bolinhas de sabão, bicho-papão bonzinho que mora no armário, mariola de morango... poderiam crer.
É aquela coisa além de precisar, de amar. É ter um companheiro para o resto dos teus dias, e começo de outras vidas que ainda virão. E que sim, compartilharemos juntos.
Basta ligares no final do dia e eu me visto de esperança, felicidade e vou ao teu encontro.
Porque, querido, tu tens o dom!
És as minhas pequeninas certezas, gigantescas vitórias.
Tenho a convicção que não é nossa primeira vida juntos.
Por caminhos antes desconexos, estamos unidos.
Tu que bebes pouca cerveja, tens os castanhos mais belos, jeito sereno, és escorpiano e bonito como ninguém.
Ao teu lado é apenas o amanhecer infinito...
E três palavras bastarão para um fim merecedor de "chave-de-ouro":
eu te amo.

* Uma certa canção de amor ***

Não foi bem assim que perguntaram a ela sobre como era tê-lo em sua vida.
Bom, para dizer a verdade ela entendeu o rápido questionamento de seu jeito único de ver o mundo.
Perguntaram algo assim:
- Como deve ser estar casada?
Ela entendeu:
"- Como é viver ao lado do amor da tua vida?"
Ela era basicamente uma menina romântica.
Não que vocês sejam obrigados a desculpá-la. Mas cá entre nós: O amor empresta cores fascinantes a qualquer vidinha que um dia foi "mais ou menos".
Ela respondeu deixando as palavras saltarem de sua boca com pressa:
- Estar ao lado dele é como se eu estivesse eternamente de férias. Sabes? Tem sempre aquela brisinha boa no final da tarde dizendo que ainda faltam 21 dias pra janeiro terminar.
Não compreenderam muito bem aquela resposta.
Mas ela sabia que a melhor descrição para aquela sensação que tinha ao lado dele era essa.
O seu coração então bateu mais depressa.
Estava na hora dele chegar do trabalho.

Todas as manhãs ele pousa na minha janela e canta docemente...



[Como eu posso duvidar que Deus cuida de mim?]











Dos pontinhos que me lembram você...

Olhando assim do alto parecem numerosas ao triplo.
Dá a impressão de não haver céu, somente estrelas: pontinhos e pontinhos luminosos. Olhando daqui de cima tudo fica pequenino demais; ao longe algumas ilhas talvez; mas não as posso ver, porque apesar de tudo é noite. Tudo é negro demais além dos pontinhos de prata no céu. Se não fosse noite não falaria de estrelas, mas das nuvens, de como o dia é lindo visto de perto. E o mais irônico é que poucas pessoas podem perceber essa beleza toda de um dia de sol. Porque visto debaixo é preciso saber enxergar através de maus tempos e poluição, mas com poesia, com coração, enfim...
É bonito ver assim na noite daqui de cima, as estrelas, uma a uma. Também é bonito olhar pro que não se vê e ainda assim sentir-se grato mesmo sem avistar o que se quer.

Porque o precioso maior está do lado de dentro.
Essa alegria toda, essa felicidade desmedida que um certo par de olhos-de-castanha – do alguém que espero em cólicas - me dá. Esse contentamento. Essa paz pra deixá-lo ir, sentindo a dor da saudade, mas nem de longe da incerteza: estou em paz pra que vá e volte, e encontrá-los – tais olhos - do mesmo jeito, mais luminosos que o brilho de todas as estrelas que vejo juntas, me procurando, procurando encontrar os meus.

Olhando assim do alto lembro desse brilho que brilha em mim e me faz notável. Atento para como tudo que é grande só é grande porque escolhemos assim. Porque as estrelas são gravemente importantes pra muitos, mas pra mim são artifícios apenas, cenário e lembranças.
São graves pois, agora que me lembram que ao longe, em terra firme, meu bem trará boas notícias, um eu-já-estou-morrendo-de-saudades, eu-te-amo-pra-vida-toda, vem-comigo-na-próxima-vez-me-promete-isso e coisas do tipo.

Olhando assim, cintilantes, vibrantes – como nossos encontros - são belas.
Decididamente belas.
Delicadamente, nós.


Por Dani Cabrera